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Liga da Justiça de Zack Snyder - Análise

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​​​​​​Se és fã da franquia do Senhor dos Anéis, as probabilidades são que depois de veres as edições alargadas, não tenhas voltado aos cortes teatrais depois de veres como o material adicional enriquece a história. Isto vale a triplicar para a Liga da Justiça de Zack Snyder. O que foi lançado como uma equipa desleixada e descontraída de heróis idiotas, ergue-se como um Kryptoniano falecido de uma Câmara de Génesis... pronto para uma segunda oportunidade. O lendário "Snyder Cut" eleva a Liga da Justiça a algo que vale a pena ver.

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A criação da Liga da Justiça de Zack Snyder, em termos gerais, continua a ser a mesma do corte teatral: depois do Super-Homem (Henry Cavill) se sacrificar para matar o Doomsday, Bruce Wayne (Ben Affleck) resolve reunir uma equipa de heróis para defender a Terra de uma ameaça alienígena que se aproxima. Mas com o dobro do tempo de filme, destinado a estabelecer o contexto em torno de eventos chave, a forma como essa história é contada desta vez, é muito mais coerente e envolvente. Onde o corte teatral corre de cena em cena de acção, a Liga da Justiça de Zack Snyder constitui um cozido em banho-maria e tem um interesse muito mais profundo em explorar as suas personagens e lendas.


Quase todas as personagens da Liga da Justiça de Zack Snyder, do topo até à base, têm uma jornada mais clara e maior dimensão. Não há ninguém que o exemplifique melhor do que o Cyborg de Ray Fisher, que viu a grande parte do seu espólio ser cortado no lançamento da Liga da Justiça em 2017.


É francamente impressionante como Victor Stone é envolvente aqui em comparação com o robótico ( desculpem), a iteração fraca no corte teatral. A versão de Snyder de Victor representa o aspecto de horror gótico do estudante universitário a quem é dada uma segunda oportunidade de vida através das experiências do seu pai Silas (Joe Morton) com uma Caixa-Mãe, e a sua relação conflituosa ganha uma nova dimensão em várias novas cenas em simultâneo.


A luta de Victor para aceitar as suas novas circunstâncias é representada com subtilezas por Fisher e colora tudo o que a personagem faz, desde a sua relutância inicial em ajudar os heróis até à sua eventual aceitação da sua responsabilidade de usar o seu poder para o bem.

justice league cyborg

Tal como o Cyborg, a caracterização do Batman é quase inteiramente diferente desta vez. Este Bruce Wayne foi irrevogavelmente alterado pelo sacrifício do Super-Homem, e aqui serve de suporte para a esperança que Jor-El tinha ao enviar o seu filho à Terra , numa tentativa de inspirar os humanos.


A luta de Bruce para colocar o isolamento que veio a defini-lo no passado e a assumir um papel de liderança entre estes heróis extremamente diferentes é dada pela seriedade com que Affleck demonstra a sua reverência pelo Homem de Aço e pelo ideal que representava.


Este é o tipo de Bruce Wayne que se virará para um Alfred céptico (Jeremy Irons), sorridente, e dirá "Fé, Alfred! Fé!". Isso está muito para lá de uma " Martha" enquanto empunha uma lança com Kryptonite. Além disso, a dada altura, lança uma "F bomb". Ouvir o Batman dizer f**** é algo radical por assim dizer-mos.


A fé de Bruce no Super-Homem, como sabemos, compensa. A ressurreição do Super-Homem é muito melhor com bastante mais liderança e, uma vez ultrapassado o seu instinto de "destruir quem quer que eu veja", Clark tem um momento para recuperar o seu brilho na quinta da família Kent. O seu reencontro com Lois Lane (Amy Adams) e Martha Kent (Diane Lane) é muito mais emotivo graças à maior concentração de Snyder no quão devastadas ficaram as duas pela sua morte. Contudo, uma forma pela qual o corte de Snyder não varia muito do corte teatral na concepção é que o papel do Super-Homem é limitado pelo design; mas pelo menos aqui, ele é muito mais preponderante como um símbolo para os nossos heróis.


Snyder apresenta Barry Allen, de Ezra Miller, tanto mais avançado no domínio dos seus poderes do que o corte teatral, incluindo uma cena de introdução completamente diferente. O impulso de confiança que ele conquista a partir desse patamar, em relação à versão anterior. Continua a ser o personagem cómico e preenche bem esse papel, pois ainda é um herói verdinho o suficiente para se passar ao entrar na Batcaverna pela primeira vez. Snyder reforça o Flash no final, com uma utilização espectacular da Speed Force que eleva a fasquia para o seu eventual filme a solo.


Tal como o Cyborg, Arthur Curry (Jason Momoa) tem pouco interesse em agradar à equipa no início. Snyder destaca a eventual decisão do Aquaman de se juntar à Liga com mais explicações sobre o porquê de ter resistido à sua herança de Atlanta, o foco das cenas restauradas com o Vulko de Willem Dafoe (e os seus cabelos soltos ao vento, ou neste caso, água, que aparentemente ele decide começar a ser a aoanhar na altura em que o vemos no Aquaman de 2018). A história de Arthur parece pouco mais do que uma montagem para lhe dar um arco mais completo no seu próprio filme, mas pelo menos desta vez temos uma imagem mais clara de onde Arthur está e algumas das razões pelas quais ele guarda tanto ressentimento em relação à Atlântida.


De todos os heróis, a Mulher Maravilha (Gal Gadot) acaba por beneficiar menos do tempo extra. Uma vez que as Amazons demonstram ter mais informação sobre Darkseid e o seu anterior fracasso na conquista da Terra, Diana é muitas vezes relegada para uma exibição histórica. Em batalha, porém, a Wonder Woman é mortífera como um raio. Livre das restrições da classificação PG-13 impostas ao corte teatral, Snyder não tem qualquer problema em deixar Diana sair das correntes, especialmente na sua primeira cena de combate, onde ela simplesmente oblitera uma sala cheia de terroristas e quebra um par de crânios contra as paredes.

wonder woman justice league

Entretanto, é dada atenção às críticas quase universais que se fazem ouvir ao vilão do corte teatral Steppenwolf, onde os seus motivos vagos e personalidade desinteressante deixaram a sua única contribuição real para o filme, dando à Liga alguém para bater na batalha final. A Liga da Justiça de Zack Snyder reposiciona Steppenwolf como um pária, desesperado para reparar os seus fracassos e voltar às boas graças de Darkseid, entregando-lhe a Terra.


Com um traje mais imponente e selvagem no campo de batalha que a classificação aproveita, Steppenwolf começa com motivações reais desta vez (e o seu destino final é muito mais interessante). Mas quando Darkseid decide receber de novo as suas chamadas, Steppenwolf fica um pouco bloqueado. Não ajuda que Snyder introduza outro "mauzão" em Darkseid, mas o desejo do Grande Mal começa a ofuscar o que Steppenwolf está a fazer com as Caixas Mãe na Terra.


A acção beneficia da mão experiente de Snyder nesse departamento. Confrontos entre heróis e vilões sentem-se mais viscerais desta vez e cada herói tem múltiplos momentos para brilhar. No entanto, enquanto cada batalha se desenrola com uma maior intensidade, é nestas cenas que alguns dos efeitos especiais adicionais, menos polidos, são mais visíveis.


Não é apenas a acção que foi renovada: A música de Danny Elfman foi substituída por uma muito mais incisiva, cortesia de Junkie XL, também conhecido por Thomas Holkenborg. A Liga da Justiça de Snyder também evita o formato panorâmico do seu lançamento teatral em favor de uma moldura quadrada 1:33:1 que parece destinada a preencher os ecrãs IMAX quando nos encontrávamos em tempos mais felizes. A nova moldura não diminui a experiência de assistir em casa, mas parece certamente mais adequada a um grande ecrã. Se for suficientemente grande, a maioria das televisões tem uma função de zoom que poderia ser usada para encher o ecrã (mas vá lá, não façam isso).

darkseid

Embora a maioria das mudanças que a Liga da Justiça de Zack Snyder faz ao corte teatral se sinta vital, algumas das mudanças substanciais veiculam-se para servir os fãs. Por exemplo, enquanto o fato preto do Super-Homem pode ser muito preciso para um Homem de Aço reavivado, como acontece nas comics, o seu significado é apenas referenciado de forma superficial, o que pareceu uma oportunidade perdida de dizer algo sobre a ideologia de Clark após a sua ressurreição. E não é segredo que o Martian Manhunter estreia nesta versão da Liga da Justiça, mas as suas contribuições são mínimas e fazem mais para distrair do que para servir a história. Caso em questão: a sua entrada arruína retroactivamente um momento doce entre duas personagens, uma vez que se sabe que uma delas era na realidade o homenzinho verde que muda de forma.


Da mesma forma, embora a cena do Epílogo, Kightmare, nos possa dar outra perspectiva para dias de futuro na DC, que estão ainda por acontecer, parece um pouco indulgente dedicar tempo a semear arcos de histórias que muito provavelmente ficarão por cumprir. Dito isto, o encontro emocionante entre o Batman de Ben Affleck e o Joker de Jared Leto, embora breve, não desilude. A história sangrenta entre os dois personagens é grande ao longo da sua tensa conversa, o que é um ponto alto para a permanência dos dois actores nos seus papéis.

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Em Suma


A Liga da Justiça de Zack Snyder é uma reivindicação surpreendente para o director e para os fãs que acreditaram na sua visão. Com uma abordagem madura ao seu drama de super-herói, antagonistas mais realistas, e acção melhorada, a versão de Snyder da Liga da Justiça salva o filme do caixote do lixo da história, algo que provavelmente só poderia ter acontecido numa plataforma de streaming como a da HBO. Embora nem todas as inclusões pareçam totalmente necessárias, e alguns efeitos visuais se apresentem não polidos, é difícil exagerar o quanto esta versão da Liga da Justiça é muito mais agradável e melhor que a original.